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26 agosto 2013

Entre Espumas e Sargaços


Gotas de orvalho,
solzinho morno da manhã,
chão frio, pés descalços,
terra molhada aguça o meu olfato bom.

Vento espalhando areia,
me misturando a sal e grãos
e sobre as ondas salto,
mergulho de cabeça, alma e coração.

Entre espumas e sargaços
busco me renovar então.
Todas as feridas saro,
principalmente, aquela do meu coração.

Então, me dê a mão!
Eu vou lhe tirar do chão.
Não deixe que a razão
finque os seus pés na areia,
descruze os braços então.

Me dê a mão!
Vamos mergulhar então.
Sinta o seu coração no ritmo do meu.
Nas ondas lá se vão dois corações.

Entre espumas e sargaços
pelas ondas se vão dois corações.

10 junho 2013

Chá de Sumiço


Que bom é tê-lo, camarada,
aqui na estrada,
batendo um papo comigo.
Andando na mesma passada,
contando piadas,
distraindo o olhar do perigo.

Saí deixando a minha casa 
desmoronada 
e as mágoas espalhadas no piso.
Eu já estava sufocada
e das minhas lágrimas
eu fiz um belo chá de sumiço.

Eu não podia, camarada,
ver você na estrada
choramingando e fazendo bico.
Você por mim é tão amada
e a minha falha
é não fazer você saber disso.

Mas isso foi a gota d'água
que em minha alma
faltava pra me dar incentivo.
Dance comigo na estrada
na mesma passada.
O amor vai ensinando o ritmo.

Um pé atrás, desconfiado,
ancorado no passado
me prende, mas, andar é preciso.
Entrei de vez na tua daça
e como criança
te dei a pureza de um sorriso.