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24 janeiro 2009

Ato Falho

Eu perdi o prumo.
O céu pra mim sempre está escuro.
Eu vivo de luto e parte de mim 
jaz em um sepulcro.
A solidão é lucro 
perto da dor de agulhas e tubos.
A esperança é tudo 
se tenho no hoje o inseguro
e no amanhã o obscuro.

Os olhos brilham com o luxo
mas turvam se há pobreza 
ao redor dos muros.
Sou parte de tudo e nem por isso
me sinto um ser profundo.
Eu sou igual a todo mundo.
As vezes penso, falo, faço absurdos 
e assim eu continuo.

Tento superar os vultos 
de um passado que me assombra 
com o seu jugo.
Esse é o custo que eu pago 
por ter sido imaturo
e ter feito tudo sem usar 
o mínimo de escrúpulo
por me achar resoluto.

Meus olhos abominam o sujo
mas esquecem 
que também sou impuro.
Sou parte de tudo e nem por isso 
me sinto um ser profundo.
Eu sou igual a todo mundo.
As vezes erro, acerto, julgo 
e assim eu continuo.

30 abril 2008

Nem Sempre Fui Assim


Perdi a direção.
Meu rumo agora é a contramão.
Meu pobre coração se alimenta
apenas de recordação.

Mas nem sempre eu fui assim.
Não, eu não era assim.
Onde foi que eu me perdi?
Quem tirou a razão de mim?

Se o que eu fiz
não mereceu perdão,
estou amargando a minha punição.
Quem tinha tudo nas mãos
não aceita a sua
própria prostração.

E eu não posso admitir.
Não, não quero isso pra mim.
Que pecado eu cometi?
Quem me indicará um fim?

Mas eu não era assim.
Não, eu não era assim.
Onde foi que eu me perdi?
Quem tirou a razão de mim?!.