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04 fevereiro 2011

Enigma de Jards

Quantas feridas abertas 
eu tenho ainda
de um passado mal feito
e um presente mais ainda.
O que esperar pro futuro?
Esse lado da minha vida 
é um enigma.

Aquilo que é custoso 
de compreender,
coisa obscura ou ambígua
que é difícil de prever.
Assim descrevo o futuro
e esse lado da vida é um enigma.

Eu quero um sinal ou prova,
algo que indica.
Pegada, rastro,
passo a passo, 
vestígios e pistas.

Onde encontrar o lacre 
que sela feridas?
Onde encontrar o raro 
elixir da vida?
Onde encontrar a chave 
que abrirá a saída,
que desvendará o enigma,
que revelará?.

27 janeiro 2011

Decisão


Há muros sem fim e bloqueios em mim
que estão me estagnando.
Será que devo agir
ou devo consentir?
Perguntas não
estão me ajudando.
Eu tenho sonhos demais,
eu tenho planos demais
e um mundo inteiro me olhando
pra ver se eu vou conseguir
ou se eu vou desistir.
Palmas ou risos, no fim,
é o que eu ganho.

Mas duas escolhas eu tenho enfim,
ficar aqui e lutar até o fim
ou fugir constantemente da sombra
da minha realidade gris.
E confesso atormentado
que é difícil se decidir
e julgar ser correta
a escolha que eu fiz.
E é exatamente nessas horas
que melhor se capta uma falha em si
e que se percebe que além da carne
a essência humana também pode ruir.

Decidir não é só se armar da razão
e sim fazer do senso a arma
para que então o nosso instinto
seja mais que uma resposta,
seja a nossa melhor munição.
Decidir não é só se armar da razão
e sim fazer do senso
a melhor arma então.
Decidir não é só se armar da razão
e sim fazer do senso
a melhor munição.

24 janeiro 2009

Ato Falho

Eu perdi o prumo.
O céu pra mim sempre está escuro.
Eu vivo de luto e parte de mim 
jaz em um sepulcro.
A solidão é lucro 
perto da dor de agulhas e tubos.
A esperança é tudo 
se tenho no hoje o inseguro
e no amanhã o obscuro.

Os olhos brilham com o luxo
mas turvam se há pobreza 
ao redor dos muros.
Sou parte de tudo e nem por isso
me sinto um ser profundo.
Eu sou igual a todo mundo.
As vezes penso, falo, faço absurdos 
e assim eu continuo.

Tento superar os vultos 
de um passado que me assombra 
com o seu jugo.
Esse é o custo que eu pago 
por ter sido imaturo
e ter feito tudo sem usar 
o mínimo de escrúpulo
por me achar resoluto.

Meus olhos abominam o sujo
mas esquecem 
que também sou impuro.
Sou parte de tudo e nem por isso 
me sinto um ser profundo.
Eu sou igual a todo mundo.
As vezes erro, acerto, julgo 
e assim eu continuo.