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13 março 2012

O Grito dos Excluídos


Hei, você que sai exibindo
sua luxúria pelas ruas.
Você mesmo que sai gastando
à toa a sua fortuna.
Sinto muito lhe informar
mas o calçado de marca
que você não quer sujar
anda pelas mesmas calçadas
que servem de cama e abrigo
para a população dos excluídos.

Sim, porque todo mundo fala
mas nunca está lá pra ajudar
as pessoas que não tiveram
oportunidade de estudar,
as pessoas que não tiveram
chance de falar,
de expressar seus sentimentos
e seus pensamentos
pois tudo o que eles venham 
tentar demonstrar
será pequeno demais
em relação ao poder dos mais ricos.

Se o "Sistema" impôs que ser humilde,
ser simples é motivo suficiente
para ganhar a repugnância 
dos sofisticados e chiques
então, eu faço parte dos excluídos
e mereço o seu desprezo por isso.
Contudo, eu vou tentar 
mudar essa situação
ajudando com o poder das palavras,
com o poder da ação 
os meus amigos,
os meus irmãos.

Sinto muito lhe informar
mas o calçado de marca
que você não quer sujar
pisa na mesma calçada
onde os excluídos
vivem a sonhar.
E nessa mesma calçada,
um dia, você irá desabar.
E quem vai estar lá
para lhe ajudar?

O "excluído" que você tanto cansou
de menosprezar.

10 maio 2009

Carta de Alforria

Não se pode ter tudo.
Não se pode ter todos.
Se contente apenas 
com alguns poucos.
Se contente 
com o que você tem.

Não permita que correntes
aprisionem a sua vida.
Liberdade ainda que tardia!
Liberdade pra mim e pro refém.

Não se julgue tão esperto!
Espere o momento certo
e faça da sua razão 
um manifesto.
Vá a luta!
Não dependa de ninguém.

Tenha consciência de que você
não tem o tempo todo.
Meu amigo, a vida é um jogo!
Ganhe e perca porque 
a morte sempre vem
e ninguém está acima do mal, 
do bem e do destino também!

"Deus! Ó Deus!
Onde estás que não respondes?
Em que mundo,
em que estrela tu t'escondes
disfarçado nos céus?
Há dez mil anos te mandei 
o meu grito
que em vão, desde então
 corre o infinito.
Onde estás, senhor Deus?
Presos na mesma corrente
na rosca da escravidão.
Condenados a morrer 
ao som do açoite...
Irrisão...!
Onde estás, senhor Deus?"

Quem deseja ter o mundo
e ser soberano a todos
não se contenta 
apenas com alguns poucos.
Não se contenta 
com o que já tem.

Não permita que a elite
manipule a sua vida
a liberdade
não é uma carta de alforria.
A liberdade
não se compra de ninguém!

Nota: 
A parte em destaque no texto é adaptada por mim e extraída do poema "Navio Negreiro" do grande poeta revolucionário, Castro Alves.