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25 junho 2011

Pela Alforria do Samba


Viro a noite acordada 
atrás de um samba bom
que lave os males da alma 
ao som de um negro tom.
E prezo minha autonomia 
de fazer engrossar
o coro pela alforria 
de poder sambar.

E mesmo na velha senzala 
em meio aos grilhões
não houve como interromper 
as manifestações
que davam vida à resistência 
através dos sons
e amenizavam as dores 
desses corações.

Mas prezo minha autonomia 
de fazer engrossar
o coro pela alforria 
de poder sambar.
E isso dá vida à bravura 
através dos sons
que sempre entoavam 
no samba negros corações.

10 maio 2009

Carta de Alforria

Não se pode ter tudo.
Não se pode ter todos.
Se contente apenas 
com alguns poucos.
Se contente 
com o que você tem.

Não permita que correntes
aprisionem a sua vida.
Liberdade ainda que tardia!
Liberdade pra mim e pro refém.

Não se julgue tão esperto!
Espere o momento certo
e faça da sua razão 
um manifesto.
Vá a luta!
Não dependa de ninguém.

Tenha consciência de que você
não tem o tempo todo.
Meu amigo, a vida é um jogo!
Ganhe e perca porque 
a morte sempre vem
e ninguém está acima do mal, 
do bem e do destino também!

"Deus! Ó Deus!
Onde estás que não respondes?
Em que mundo,
em que estrela tu t'escondes
disfarçado nos céus?
Há dez mil anos te mandei 
o meu grito
que em vão, desde então
 corre o infinito.
Onde estás, senhor Deus?
Presos na mesma corrente
na rosca da escravidão.
Condenados a morrer 
ao som do açoite...
Irrisão...!
Onde estás, senhor Deus?"

Quem deseja ter o mundo
e ser soberano a todos
não se contenta 
apenas com alguns poucos.
Não se contenta 
com o que já tem.

Não permita que a elite
manipule a sua vida
a liberdade
não é uma carta de alforria.
A liberdade
não se compra de ninguém!

Nota: 
A parte em destaque no texto é adaptada por mim e extraída do poema "Navio Negreiro" do grande poeta revolucionário, Castro Alves.