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12 outubro 2011

Vigésimo Andar


Bem, e aí, me diz quem vem.
Um olhar panorâmico pra favela tem.
Basta abrir a janela e se defrontar 
com a pobreza que veem.
Abra sua janela e sinta o odor 
que da pobreza vem
e que a pobreza tem.

E tem quem queira acreditar 
que os muros que os cercam
servem de proteção 
pra nenhum mal entrar
e não ter como misturar 
os doentes com os sãos.
Pra não deixar entrar 
uma realidade que mendiga um pão
e que tem uma arma na mão.

E tem quem queira acreditar 
que morando num prédio
no vigésimo andar se libertará 
pelo simples fato de perto do céu estar, enquanto na favela,
será que algum merecedor há 
para se salvar?



28 dezembro 2010

Cárcere Privado


Portas trancadas,
janelas gradeadas,
muros em volta,
a prisão é minha casa.
A vida acontece
dentro da TV de plasma
e o meu novo horizonte
se limita a minha sala.

E o meu crime é a omissão.
O conformismo
restringiu minha ação.
E o meu crime é afirmar
que não existe um meio
de mudar essa condição.

Já estou farta dessa farsa!
A minha vida é tão clichê.
O tempo todo finjo um jogo
e ganho o que não quero ter.
Abri as travas e as grades
da minha prisão privê.
Deixei de lado o marasmo
e dei lugar a um novo ser.

12 janeiro 2010

Devaneios

Quero algo forte o bastante
que me leve mais que alguns instantes
para espaços siderais
e que em movimentos constantes
faça todo o meu corpo flutuante
viajar entre espirais.
Me perco em um mundo distante
em meio a descoberta de nuances
nunca antes ditas reais.
Ter uma mente brilhante
é bem melhor que um gris anulante,
meras massas cerebrais.

E em pleno movimento 
eu vejo o mundo
parando a passos lentos.
180 graus, 
rotação que dou em mim mesmo.
Quero ouvir o silêncio
e entender o som 
que me traz o vento;
vozes, gritos, choro, 
sorrisos e tudo mais.

E em pleno movimento 
eu vejo o mundo
parando a passos lentos.
Eu quero ouvir o silêncio 
e entender o som
que me traz o vento;
vozes, gritos, choro, 
sorrisos e tudo mais.
Gigantes moinhos nada cordiais.

Nada cordiais, tempos.
Nada cordiais, gritos.
Nada cordiais, risos.
Nada cordiais, filhos.