04 abril 2009

AutoDefesa

Desperta de uma vida de sonho
e disperça as sombras pr'outro mundo.
Dispensa conselhos e olhos turvos
pois dissipar a maldade é ser justo.

Distrata o pacto de ser nulo
e distende um ideal sem jugo.
Discordar nem sempre é injusto,
é desvendar a verdade do obscuro.

Dispeja o que te fez soturno
e desprende o passado, os feitos sujos.
Desprezar nem sempre é insulto,
é desviar para os ares 
de um bom rumo.

Discuidar de si é algo danoso,
é destrancar a porta ao perigo solto.
Desconfiar não é ser mentiroso,
é dispensar atenção sendo cuidadoso.


17 março 2009

Quarta-Feira de Cinzas

Se o meu grito ficou mudo
as minhas lágrimas 
ressoam até aos surdos.
Se o meu peito está de luto
é pelo fato da minha dor 
ser a nova máscara
que em pleno carnaval eu uso.

Se o medo marcou meus pulsos
é porque a face do terror 
desfigura o mundo.
Se o meu beijo tornou-se impuro,
devo aos lábios que 
ao me jurarem eterno amor
também me traem 
enquanto eu durmo.

Entre confetes e serpentinas
eu desfilo as minhas fantasias.
E finjo durante quatro dias
que a minha dor 
dá lugar a alegria.
Contudo, quatro dias 
não são suficientes
para maquiar 
todas as cicatrizes 
de uma vida.
E já que as cinzas do meu rosto
não se disfarçam nem com tinta,
que venha a quarta-feira
com sua máscara de despedida.

11 março 2009

Dito e Feito

Quanto mais tento esquecer
eu olho pra trás e faço reviver
o que me faz esperança ver
onde não há mais chance de se ter.

O que foi dito e feito, feito está.
E grande é o risco de ter 
como não remediar
mas não há porque lamentar 
pelo que já passou
se a manha é acertar na vida 
onde já se errou.

E quanto mais tento esquecer
eu olho pra trás e faço reviver
o que me faz saudade ter
do que não há mais chance de se ver.

Metas, gente, sonhos ficam para trás.
E grande é o risco de ter 
como não vê-las mais.
Mas não há porque lamentar 
pelo que já passou
se a manha é conquistar da vida 
o que não se sonhou.

E quanto mais tento esquecer
eu olho pra trás e faço reviver
o que me fez ser um dia "o ser"
e que não há mais chance de morrer.

02 março 2009

Sem Você


Toda casa sem você 
é uma jaula
e a fantasia sem você 
não tem mais graça.
Toda noite sem você 
é conturbada
e cinza é o amanhecer 
sem sua fala.

Toda estrada sem você 
é a errada.
Regras e leis sem você 
não valem nada.
Nas ruas da cidade 
vago solitária
e as horas do relógio 
só aumentam a mágoa.

Vazio é o meu viver
agora que estou sem você
e até dos mínimos 
detalhes mais banais
eu sinto falta.

Toda noite sem você 
é conturbada
e as horas do relógio 
só aumentam a mágoa.
A minha casa sem você 
é uma jaula
e agora vago pelas ruas 
solitária.

Vazio é o meu viver 
agora que estou sem você
e até dos mínimos 
detalhes mais banais
eu sinto falta.

17 fevereiro 2009

Sonhos Estilhaçados

Sonhos estilhaçados, todos no chão
rasgando os pés de quem 
anda à contramão.
Refletindo as pessoas como elas são.
Revelando maldades escondidas
atrás de uma angélica feição.

Planos desmoronados 
sem compaixão
viram simples entulhos 
sem reconstrução.
É difícil se erguer 
quando lhe tiram o chão
pois é de quem menos a gente espera
que vem a amarga traição.

E quando surgir mais um dia novo
serei mais um no meio de todos.
Um ser comum 
se moldando aos poucos.
E não vou cair nem decair de novo
por mais que esse seja 
o desejo dos outros.

Vou me armar de coragem e bom gosto
e quem me fez chorar 
vai receber o troco
mas não com agressão 
e sim com atos de decoro
pois só com a educação 
é que se destrói o tolo.

Sonhos estilhaçados, todos no chão.
Planos desmoronados sem compaixão
refletindo as pessoas como elas são
pois é de quem menos a gente espera
que vem a amarga traição.

E quando surgir mais um dia novo
serei mais um no meio de todos.

24 janeiro 2009

Ato Falho

Eu perdi o prumo.
O céu pra mim sempre está escuro.
Eu vivo de luto e parte de mim 
jaz em um sepulcro.
A solidão é lucro 
perto da dor de agulhas e tubos.
A esperança é tudo 
se tenho no hoje o inseguro
e no amanhã o obscuro.

Os olhos brilham com o luxo
mas turvam se há pobreza 
ao redor dos muros.
Sou parte de tudo e nem por isso
me sinto um ser profundo.
Eu sou igual a todo mundo.
As vezes penso, falo, faço absurdos 
e assim eu continuo.

Tento superar os vultos 
de um passado que me assombra 
com o seu jugo.
Esse é o custo que eu pago 
por ter sido imaturo
e ter feito tudo sem usar 
o mínimo de escrúpulo
por me achar resoluto.

Meus olhos abominam o sujo
mas esquecem 
que também sou impuro.
Sou parte de tudo e nem por isso 
me sinto um ser profundo.
Eu sou igual a todo mundo.
As vezes erro, acerto, julgo 
e assim eu continuo.

29 dezembro 2008

Goia

Vou queimando a ponta do cigarro
como se consumisse o teu amor
que é meu vício, meu estrago
e o meu porto seguro
onde me encontro à salvo.

Trago na memória
cinzas de tantos carnavais,
cinzas de cigarros apagados,
cinzas de um amor 
que já não queima mais.
Vou me consumindo,
vou extinguindo o meu pavio,
vou nessa chama me expandindo
e virar fumaça sem deixar resquícios
do que fui e do que sou.

O que será que houve com nós dois?
Se o que nos sobrou é apenas cinzas,
será que alguma mágica ressuscita
o nosso amor que se apagou?


O que será que houve com nós dois?
Se o que nos sobrou é apenas cinzas,
melhor jogá-las à brisa
e não me arrepender depois.

17 dezembro 2008

Mais Valia


Nada nessa vida é de graça.
Tudo tem um preço, uma marca.
O poder envaidece e dá asas
mas até num rei existem falhas.
Os dias voam como um sopro
e tudo se finda em pó de novo.
Até quando o valor de um renovo
custará menos que o do ouro?
Nada nessa vida é de graça!

Vai-se o carma, mas fica-se a gana
de tirar esse mundo da lama.
Não houve Gandhi nem Dalai Lama
que transformassem mentes tiranas.
Mas se os dias passam como uma brisa
e tudo se finda em pó e argila,
até quando milhares de vidas
fenecerão em valas envilecidas?

Nada nessa vida é de graça!
Tudo tem um preço, uma marca!
Tudo se finda em pó e argila!
Mas até quando milhares de vidas
serão destruídas?!

27 novembro 2008

O Tempo, a Vida, a Traça

Sei, o tempo passa
devorando como uma traça
e nada escapa
dos seus dentes, suas garras.

Algo dentro de mim
me diz pra reagir,
não me deixar sucumbir
e fazer tudo o que eu não fiz
e assistir ao que eu não vi.

Sei, tudo desgasta
e na vida nada é de graça.
Sei que tudo passa;
o tempo, a vida, a traça.

Mas algo dentro de mim
me diz pra reagir,
não me deixar sucumbir
e querer tudo o que eu não quis
e dizer tudo sobre mim.

Sei, tudo desgasta;
o tempo, a vida, a traça.
E nada escapa;
o tempo, a vida, atraza.

Mas algo dentro de mim
me diz pra reagir,
não me deixar sucumbir
e fazer tudo o que eu não fiz
e assistir ao que eu não vi
e querer tudo o que eu não quis
e dizer tudo sobre mim.

15 outubro 2008

De Viagem

Na bagagem
levo muitos planos
e pra onde eu vou a dor
não pesará tanto.

E um filme
em minha mente
passa em preto e branco
e quanto valor eu dou
até aos meus enganos.

A indecisão vem junto
com o que é novo
e seja como for
já estou pronta de novo.

E leve o tempo que levar
eu não meço esforço
mas seja como for
eu não vou
pro fundo do poço.

Sei que tudo nessa vida
 não é só flor
e que é difícil ter esperança
com tanto horror
em volta do mundo
e é nessas horas
que eu me pergunto:

- onde está o amor?
- que fim ele levou?
- será que para onde eu vou
eu irei ao seu encontro?.

09 outubro 2008

Sobre o Natural


Manso, quieto, calmo, devagar;
Assim você veio a mim
sem programar.
Surpresa, espanto,
encanto no olhar;
Eu não contive em mim
o que se fez revelar.

Incontrolável,
devastador, brutal;
A paz que havia em mim
deu lugar a um temporal.
Desejos, sonhos
fora do normal;
Sua vinda fez de mim
um ser sobrenatural.

Mas veio manso quieto,
calmo, devagar
e causou o espanto
do meu olhar.
Mudou devastadoramente
o total dos meus conceitos
sobre o natural.

08 setembro 2008

Detalhes ao Vento


Sopre vento, pelos mares.
Ares, girem cataventos
e se espalhem.

Ares, mudem tempos,
refresquem pensamentos
e entrem em lares, ares,
secos de bondade;

toquem pessoas,
acariciem faces
e virem claves em frases
soltas em suspiros suaves.

Tento há tempos
ser como o vento
em incontáveis viagens.

No vai e vem é que se sabe
como arejar momentos,
alçar vôos no vento
e misturar nos ares
os sonhos da humanidade;

amenizar saudades,
revirar tempestades
e revelar aos ares
todos os detalhes!


12 maio 2008

Invisível


Calma coração!
Esquece por um segundo
a dor da solidão.
De como é ruim viver no mundo
se apegando a ilusão
de que há alguém
nesse mesmo mundo
em semelhante situação.

Mas desde quando
é reconfortante saber
que você não é o único 
a passar por
tal dilacerante sensação?!
Isso sim, é uma frustração!

O que há de errado comigo?
Por que não consigo
dispertar nos outros atração,
admiração ou até mesmo a paixão?

Sou invisível aos olhos de tudo!
Sou invisível
aos olhos do mundo!
Sou invisível
aos meus próprios olhos!

Então, deito e me cubro
ao lado novamente
da companheira solidão.

Esta é a parte que te cabe
deste ingrato mundo,
sufoca os teus sonhos
de uma vida dividida
e acostuma-te
a tua triste solidão,
invisível coração!.

07 maio 2008

Escolhas Perigosas



E quem poderá
reescrever a história
de páginas cheias
de perdas e glórias?
E qualé a influência
de tudo a minha volta
sobre as frases que dão vida
às minhas memórias?!

E mesmo escrevendo certo
pelas linhas tortas
segui a passos firmes
mesmo a tortas rotas.
E qualé a sina
de quem faz escolhas perigosas
e aposta tudo em vãs
e incertas respostas?!

E quem poderá reescrever
a minha história
de escolhas perigosas?
E quem poderá converter
a minha rota,
minhas tortas rotas?!







06 maio 2008

Fugas


Quantos adeus
eu já tive que dar!
E quantos mais
ainda vou ter que falar?
Tantos planos
tive que deixar pra trás.
Minha vida
não para em um lugar.

Mas estou cansada
desse vai e vem!
Mas estou cansada
de não ter ninguém!
Quais são as chances
de eu me dar bem
se nas direções que sigo
só o incerto me vem?!

Sempre busquei
um lugar quase perfeito
pra poder encobrir
todos os meus medos.
Mas enquanto
eu não assumir meus erros
minha vida
vai ser um total avesso.

Mas estou cansada
de nunca me dar bem!
Mas estou cansada desse vai e vem!
Quais são as minhas chances
de encontrar alguém
se nas direções que sigo
só o breu me vem?!

30 abril 2008

Nem Sempre Fui Assim


Perdi a direção.
Meu rumo agora é a contramão.
Meu pobre coração se alimenta
apenas de recordação.

Mas nem sempre eu fui assim.
Não, eu não era assim.
Onde foi que eu me perdi?
Quem tirou a razão de mim?

Se o que eu fiz
não mereceu perdão,
estou amargando a minha punição.
Quem tinha tudo nas mãos
não aceita a sua
própria prostração.

E eu não posso admitir.
Não, não quero isso pra mim.
Que pecado eu cometi?
Quem me indicará um fim?

Mas eu não era assim.
Não, eu não era assim.
Onde foi que eu me perdi?
Quem tirou a razão de mim?!.